Um feed sem algoritmo para quem trabalha com saúde mental
Nem sempre são os assuntos que mais aparecem na sua tela. Entre mudanças de comportamento, novas evidências e questões que atravessam a prática clínica, há temas que pedem um olhar mais atento e perguntas que ainda estão longe de respostas simples. Por isso, a Artmed fez a curadoria deste feed: uma seleção de dados, estudos e provocações para percorrer três frentes da saúde mental: dependências e transtornos aditivos, desafios contemporâneos e psicotrauma. Role o feed e veja o que merece a sua atenção.
Dependências e transtornos aditivos: onde está a fronteira entre hábito e transtorno?
Usar uma substância, apostar ou repetir um comportamento com frequência não é suficiente, por si só, para caracterizar um transtorno.
Na avaliação clínica, importa compreender o padrão, a perda de controle e os prejuízos que começam a aparecer na vida do paciente.
Nos transtornos por uso de substâncias, por exemplo, um dos elementos centrais é a continuidade do uso apesar de problemas significativos associados a ele.
Quando o consumo de álcool passa a exigir atenção clínica?
O álcool está presente na rotina de uma parcela expressiva da população brasileira.
A aposta entrou no celular. O que isso muda para a clínica?
Segundo a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, no relatório “Aposta Online no Brasil: perfis de uso, jornadas e padrões de comportamento”, da ANBIMA.
17% apostaram online em 2025
17% da população pesquisada realizou apostas online em 2025. Em 2023, eram 14%; em 2024, 15%.
Média de 35 anos, 66% homens
37% gastam R$ 100 ou mais por mês com apostas, e 11% foram classificados com alto nível de propensão ao vício, com maior concentração entre homens, jovens e pessoas da classe C.
39% buscam ganhos rápidos
Especialmente em momentos de necessidade; 32% veem a aposta como diversão e 20% chegam a percebê-la como uma forma de investimento.
Diferenças relacionadas a gênero
Entre algumas mulheres das classes C, D e E, a aposta aparece de forma mais discreta, atravessada por culpa e sobrecarga. Algumas sequer se reconhecem como jogadoras, mesmo quando apostam com frequência.
Para colocar no radar
Quando a aposta chega à clínica, vale olhar além do valor gasto ou do número de acessos. Há perda de controle? Existem prejuízos no funcionamento cotidiano? A aposta ocupa os pensamentos de forma persistente? Qual função ela exerce naquele momento da vida?
Inovações e desafios contemporâneos na saúde mental
O que está mudando na vida dos pacientes também está mudando as perguntas do consultório.
Sintomas conhecidos, novos contextos
O trabalho ocupa outros espaços da rotina, o ambiente digital amplia possibilidades de comparação e questões relacionadas ao corpo, enquanto situações de sofrimento intenso exigem avaliações que não se apoiem em um único sinal.
Novas camadas à prática clínica
Reconhecer um sintoma continua sendo importante, mas compreender onde ele aparece, como se manifesta e o que está acontecendo na vida daquele paciente pode mudar a leitura do caso.
Para colocar no radar
Diante de sintomas que podem ter diferentes significados, o que muda quando a avaliação deixa de olhar apenas para o sinal e passa a investigar também o contexto em que ele aparece?
Burnout ou depressão?
Sintomas semelhantes pedem atenção ao contexto.
Exaustão, dificuldade de concentração, alterações no sono e sintomas depressivos podem aparecer em diferentes quadros.
Quando o trabalho está no centro desse sofrimento, compreender o contexto em que os sintomas surgem se torna parte importante da avaliação.
Quando a imagem corporal também é atravessada pelo ambiente digital
Cerca de 15 milhões de brasileiros
Em audiência na Câmara dos Deputados, o psiquiatra Táki Cordás, coordenador do Programa de Transtornos Alimentares do Hospital das Clínicas da USP, apresentou a estimativa de que cerca de 15 milhões de brasileiros convivem com algum transtorno alimentar.
Menos de dez ensaios clínicos em 40 anos
Um levantamento apresentado pelo Jornal da USP identificou menos de dez ensaios clínicos brasileiros sobre transtornos alimentares em quatro décadas, evidenciando uma lacuna entre a dimensão do problema e a produção de evidências nacionais sobre tratamento.
Para colocar no radar
Diante de alterações na alimentação e na percepção corporal, que espaço comparação, exposição digital e padrões estéticos ocupam na experiência daquele paciente? E quanto do que orienta a prática clínica brasileira ainda depende de evidências produzidas em outros contextos?