Um feed sem algoritmo para profissionais de saúde mental
Entre mudanças de comportamento, novas evidências e questões que atravessam a prática clínica, há temas que pedem um olhar mais atento e perguntas que ainda estão longe de respostas simples.
Role o feed e veja o que merece a sua atenção.
Onde está a fronteira entre hábito e transtorno?
Usar uma substância, apostar ou repetir um comportamento com frequência não é suficiente, por si só, para caracterizar um transtorno. Na avaliação clínica, importa compreender o padrão, a perda de controle e os prejuízos que começam a aparecer na vida do paciente.
Quando o consumo de álcool passa a exigir atenção clínica?
O álcool está presente na rotina de uma parcela expressiva da população brasileira. O LENAD III, levantamento nacional realizado entre 2022 e 2024, e divulgado em 2025, apurou dados sobre perfil, frequência e intensidade do consumo de álcool por brasileiros.
A aposta entrou no celular. O que isso muda para a clínica?
Os dados da 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, apresentados no relatório “Aposta Online no Brasil: perfis de uso, jornadas e padrões de comportamento”, da ANBIMA, mostraram que 17% dos brasileiros realizou apostas em 2025.
Quantidade e frequência são importantes, mas não respondem sozinhas à pergunta clínica.
No caso do álcool, pergunte-se que lugar ele ocupa na rotina do paciente? Que consequências já aparecem? O consumo continua apesar delas? E quando as apostas chegarem à clínica, pergunte-se se há perda de controle? Existem prejuízos no funcionamento cotidiano? A aposta ocupa os pensamentos de forma persistente? Qual função ela exerce naquele momento da vida?
O que muda a vida dos pacientes também muda as perguntas do consultório
Sintomas conhecidos podem aparecer atravessados por novos contextos, comportamentos e formas de exposição. Reconhecer um sintoma continua sendo importante, mas compreender onde ele aparece, como se manifesta e o que está acontecendo na vida daquele paciente pode mudar a leitura do caso.
Burnout ou depressão?
Dados do Ministério da Previdência Social, apresentados pelo g1, mostram que os benefícios por incapacidade temporária relacionados ao burnout passaram de 823, em 2021, para 7.595 em 2025.
A dimensão do problema chama atenção.
Diante de exaustão e sintomas depressivos, qual é a relação desses sinais com o trabalho? Eles permanecem em outros contextos da vida? Que outros sintomas estão presentes? Diferenciar os quadros exige compreender como o sofrimento se manifesta em cada paciente.
Como avaliar as repercussões do trauma?
Uma experiência potencialmente traumática não produz os mesmos efeitos em todas as pessoas, e seus impactos nem sempre aparecem da mesma forma. Para a prática clínica, isso exige olhar para a natureza da exposição, o momento em que ela ocorreu, sua duração e repetição, além da forma como cada pessoa responde ao que viveu.
Trauma na infância e adolescência pode aparecer de diferentes formas
A exposição a experiências traumáticas durante o desenvolvimento é frequente, mas não determina um único desfecho clínico.
O trauma como uma experiência coletiva, que também atinge o profissional
Desastres podem atingir uma população inteira, inclusive profissionais de saúde mental. Quando a exposição ao trauma é repetida, o impacto pode ultrapassar o espaço da sessão e repercutir no próprio profissional.
Cuidar de pacientes expostos ao trauma também exige observar o impacto desse trabalho sobre quem cuida.
Ao lidar com trauma em eventos coletivos, preste atenção no grau de exposição do paciente. Quando o trauma infantil e juvenil chega à clínica, pergunte-se quais mudanças emocionais, comportamentais e de funcionamento apareceram depois da experiência? E, diante de tudo isso, pergunte-se o que permanece com você depois que a sessão termina.
Você chegou ao fim desta curadoria, mas os temas que passaram pelo feed não se encerram aqui
Dependências, desafios contemporâneos e psicotrauma evidenciam questões que continuam sendo investigadas, discutidas e atualizadas pela prática e pela ciência.
Nos próximos dias da Semana Artmed de Saúde Mental, especialistas aprofundam essas discussões em encontros ao vivo, conectando evidências, experiência clínica e os desafios que chegam todos os dias aos profissionais da área.
Porque, para quem trabalha com saúde mental, manter-se atualizado também significa continuar fazendo boas perguntas. Agora, leve as suas para os encontros ao vivo.